Brasil registra média de 4 golpes por minuto em 2025, aponta Anuário de Segurança Pública
Estelionatos somaram mais de 2 milhões de ocorrências no país, novo recorde histórico. Clonagem de cartão e golpe do WhatsApp aparecem entre os mais frequentes.
O Brasil vive uma verdadeira epidemia de golpes financeiros. É o que revela o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), que mostra um salto de quase 430% nos registros de estelionato desde 2018.
Mais de 2 milhões de casos em um ano
Segundo o levantamento, foram 2.261.055 ocorrências de estelionato registradas em 2025 — o equivalente a 258 por hora, ou quatro golpes a cada minuto. O número representa alta de 2,7% em relação a 2024 e é o maior já contabilizado desde que o estudo começou a ser feito, em 2011.
O anuário, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, reúne dados enviados pelas secretarias de segurança dos 26 estados e do Distrito Federal, contemplando tanto golpes tradicionais — com encenações e documentos falsificados — quanto fraudes digitais aplicadas por meio de links, aplicativos, redes sociais e inteligência artificial. Só os golpes digitais cresceram 20,6% no período, somando mais de 346 mil casos.
De acordo com pesquisadores do fórum, essa alta caminha na contramão da queda registrada em roubos e furtos, refletindo mudanças nos hábitos da população e também na forma de atuação do crime organizado.
São Paulo lidera o ranking entre os estados
São Paulo aparece como o estado com a maior taxa de estelionatos do país, com 1.808 casos a cada 100 mil habitantes, seguido por Distrito Federal, Paraná, Rondônia, Santa Catarina e Espírito Santo. Segundo os pesquisadores, essa taxa está associada ao grau de bancarização e digitalização de cada região, o que explica a liderança de estados mais urbanizados e conectados.
Os golpes mais comuns identificados pelo estudo
- Clonagem ou troca de cartão de crédito — dados são obtidos por páginas falsas, maquininhas adulteradas ou vazamentos, ou o cartão é fisicamente trocado durante uma compra presencial.
- Golpe do WhatsApp — criminosos se passam por familiares ou amigos, alegando trocar de número para pedir dinheiro com urgência, ou invadem a conta real da vítima.
- Falsa central bancária — golpista se apresenta como funcionário do banco para induzir a vítima a fornecer senhas, instalar aplicativos de acesso remoto ou transferir valores.
- Golpe do Pix — usado como ferramenta final de fraudes variadas, como vendas falsas, comprovantes adulterados e QR Codes alterados.
- Uso indevido do CPF via SMS — mensagens alertam sobre falsas pendências para induzir a vítima a clicar em links maliciosos ou fornecer dados.
- Loja ou leilão falso — sites e perfis fraudulentos oferecem produtos abaixo do preço de mercado que nunca são entregues após o pagamento.
Engenharia social e crime organizado
O estudo aponta a engenharia social — manipulação psicológica que explora medo, urgência e confiança — como fator central na expansão dos golpes, já que as próprias vítimas acabam fornecendo dados ou realizando transferências. Os pesquisadores também identificam a atuação crescente de facções como PCC e Comando Vermelho, que mantêm estruturas dedicadas a fraudes digitais, batizadas de "escritórios do crime".
Segundo o levantamento, a grande maioria dos casos de estelionato notificados à polícia não chega a ser julgada pela Justiça, o que torna a atividade criminosa de baixo risco e alta rentabilidade em comparação a outros crimes.
Outros destaques do Anuário 2025
- O Brasil registrou o menor número de mortes violentas desde 2012 (40.775), com taxa abaixo de 20 por 100 mil habitantes pela primeira vez na série histórica.
- Os feminicídios, porém, bateram recorde: 1.571 mulheres foram mortas em 2025, média de quatro por dia.
- O sistema prisional cresceu 6%, chegando a 964 mil presos.
- O país registra em média 95 celulares roubados ou furtados por hora.
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Fonte: G1, com dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) — g1.globo.com, republicado por Primeira Hora







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