Além de desafogar a BR-153, Anel Viário pode abrir novo eixo de desenvolvimento na Grande Goiânia
Com licitação prevista para 29 de setembro e prazo estimado de quatro anos para execução, a rodovia será construída em pista dupla e terá conexões com importantes vias estaduais, entre elas as GOs 020, 010, 019 e 537.
A construção do Novo Anel Viário da Região Metropolitana de Goiânia, conhecido como Contorno Leste, deverá provocar mudanças que vão além da retirada de caminhões e carretas do trecho urbano da BR-153. Com 44 quilômetros de extensão e investimento estimado em R$ 1 bilhão, o novo corredor rodoviário também abre perspectivas para a criação de um novo eixo de desenvolvimento econômico, logístico e imobiliário entre Aparecida de Goiânia, Goiânia e Senador Canedo.
Com licitação prevista para 29 de setembro e prazo estimado de quatro anos para execução, a rodovia será construída em pista dupla e terá conexões com importantes vias estaduais, entre elas as GOs 020, 010, 019 e 537. A configuração permitirá conectar diferentes pontos da Região Metropolitana sem a necessidade de utilizar o atual corredor urbano da BR-153.
Na prática, a mudança pode alterar não apenas o caminho percorrido por milhares de veículos diariamente, mas também a dinâmica de ocupação das áreas localizadas nas proximidades do novo traçado.
A estimativa é que aproximadamente 22 mil veículos utilizem diariamente o Contorno Leste até 2035. Parte significativa desse movimento deverá ser formada por veículos de carga que atualmente passam por Goiânia e Aparecida de Goiânia para acessar outras regiões de Goiás e do país.
Novo corredor pode atrair empresas
A passagem de um corredor rodoviário dessa dimensão por áreas ainda em processo de urbanização pode aumentar o interesse pela instalação de empreendimentos ligados ao transporte e à distribuição de mercadorias.
Centros de distribuição, galpões, transportadoras, indústrias e condomínios logísticos estão entre os segmentos que podem encontrar no entorno do Contorno Leste uma localização estratégica, principalmente pela facilidade de acesso a diferentes rodovias.
O deputado federal José Nelto (União Brasil), um dos articuladores da obra junto ao governo federal, acredita que os efeitos econômicos deverão acompanhar a implantação da infraestrutura.
O potencial está diretamente relacionado à posição do novo corredor. O Contorno deverá receber veículos que seguem para regiões como Sudoeste e Norte de Goiás, além de Mato Grosso, Minas Gerais, Distrito Federal, São Paulo e estados do Nordeste.
Com isso, áreas que atualmente estão afastadas dos principais corredores de circulação de cargas poderão passar a ocupar uma posição estratégica dentro da malha rodoviária metropolitana.
Senador Canedo pode ganhar protagonismo
Entre os municípios que podem sentir diretamente os efeitos da nova rodovia está Senador Canedo. O município já possui forte presença industrial e deverá ser alcançado pelo traçado do Contorno Leste.
A conexão com rodovias estaduais também poderá fortalecer a integração entre áreas industriais, centros de distribuição e os principais corredores nacionais de transporte.
Nesse cenário, Senador Canedo poderá se consolidar ainda mais como uma das áreas de expansão econômica da Região Metropolitana, principalmente para atividades que dependem de grandes terrenos e facilidade de circulação de caminhões.
Aparecida de Goiânia também tende a ser impactada. O município concentra importantes áreas industriais e empresariais e deverá abrigar uma das conexões do novo corredor com a BR-153.
A mudança cria a possibilidade de que empresas instaladas na região tenham acesso à malha rodoviária nacional sem depender integralmente do trecho mais congestionado da rodovia federal dentro da Região Metropolitana.
Mercado imobiliário entra no radar
Outro efeito esperado está relacionado à ocupação imobiliária das áreas próximas ao traçado. A implantação de grandes corredores viários historicamente aumenta a acessibilidade de regiões antes consideradas periféricas e pode estimular novos empreendimentos.
O próprio José Nelto revelou que representantes do setor imobiliário de Goiânia e Aparecida participaram das articulações relacionadas ao projeto.
“É um trabalho que estou fazendo desde o ano passado com o Sandro Mabel, com o governador Daniel Vilela, com o Leandro Vilela e com o empresariado do setor imobiliário de Goiânia e Aparecida”, disse.
A participação do segmento chama atenção para outro possível desdobramento da obra: a valorização de terrenos localizados próximos aos novos acessos.
Além de empreendimentos residenciais, áreas próximas a grandes rodovias podem despertar interesse principalmente para projetos comerciais, industriais e logísticos, justamente pela disponibilidade de terrenos maiores e pela facilidade de deslocamento.
O avanço desse processo, entretanto, também deverá exigir planejamento dos municípios para evitar que uma expansão urbana desordenada comprometa a própria capacidade de circulação que a nova rodovia pretende criar.
BR-153 também pode mudar
Enquanto novas áreas podem ganhar importância econômica, um dos principais corredores atuais da Região Metropolitana poderá passar pelo movimento contrário: deixar de exercer prioritariamente uma função rodoviária para assumir características cada vez mais urbanas.
Segundo José Nelto, existe a expectativa de remodelação do trecho da BR-153 que atravessa a área urbana depois que parte do tráfego de passagem for direcionada para o Contorno Leste.
“A BR-153, no trecho urbano, será remodelada. Ela será transformada em uma avenida”, afirmou.
A mudança representaria uma transformação significativa para uma via que atualmente divide áreas densamente ocupadas de Goiânia e Aparecida e, ao mesmo tempo, recebe veículos que percorrem grandes distâncias pelo país.
Com menos caminhões e carretas utilizando esse trecho apenas como passagem, abre-se espaço para discutir uma nova função para a rodovia dentro da mobilidade metropolitana.
Perimetral Norte pode sentir reflexos
Os efeitos também podem chegar à Perimetral Norte, hoje utilizada como uma das principais alternativas para veículos pesados que precisam atravessar Goiânia.
Segundo José Nelto, parte desse movimento deverá ser transferida para o novo anel.
A retirada dos veículos de carga pode modificar a dinâmica da Perimetral, especialmente nos horários de maior movimento, embora o impacto efetivo dependa da quantidade de motoristas que passarão a utilizar o novo corredor.
O Contorno Leste, portanto, surge não apenas como uma alternativa para desviar caminhões da BR-153. Se concretizadas as projeções apresentadas para o empreendimento, a rodovia poderá reorganizar fluxos de transporte, abrir novas frentes para empreendimentos logísticos e industriais e influenciar a direção da expansão urbana da Região Metropolitana nas próximas décadas.
A licitação prevista para setembro será apenas uma das primeiras etapas desse processo. Com quatro anos estimados de obras, os efeitos econômicos e urbanos do novo corredor poderão começar a aparecer antes mesmo da conclusão dos 44 quilômetros. *Com informações Jornal Opção.







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