Nova regra do frete evita greve, mas ameaça encarecer produtos
O aumento do frete será repassado ao longo da cadeia de distribuição e logística. "A imposição de um preço mínimo pode levar ao aumento dos custos, elevando os preços de produtos ao consumidor final", avalia Adenauer Rockenmeyer.
A nova medida provisória do governo que endurece a cobrança do piso mínimo do frete rodoviário e ajudou a coibir as ameaças de greve dos motoristas em meio ao aumento do preço do diesel nos postos pode encarecer o preço final dos produtos para os consumidores.
O que aconteceu
O aumento do frete será repassado ao longo da cadeia de distribuição e logística. "A imposição de um preço mínimo pode levar ao aumento dos custos, elevando os preços de produtos ao consumidor final", avalia Adenauer Rockenmeyer, conselheiro do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia de São Paulo).
A manutenção do lucro do caminhoneiro onera diretamente o comprador. "Se o caminhoneiro não vai ter uma margem de lucro inferior, o consumidor vai ter o repasse com o valor adicionado dos custos", afirma Hélder França, professor do NEPAT (Núcleo de Estudos e Pesquisas Avançados em Tributação) da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras).
A indústria critica a atuação do governo e aponta prejuízo à competitividade do país. Roberto Muniz, diretor da CNI (Confederação Nacional da Indústria), diz que o combustível representa até 40% dos custos logísticos. "Aumentos abruptos encarecem o frete, elevam o custo dos insumos e os preços finais", completa.
O governo federal estima um impacto baixo sobre a inflação geral. A projeção oficial aponta que, mesmo com o petróleo a US$ 100, a inflação acumulada do ano subiria apenas 0,58 ponto percentual, indo de 3,6% para 4,18%.
Entenda a medida
A MP (Medida Provisória) 1.343 prevê punição para quem não pagar o valor mínimo aos caminhoneiros. O texto aumenta a fiscalização sobre empresas contratantes de transporte rodoviário de cargas para garantir o cumprimento das regras.
A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) define os valores do frete. A agência ajusta a tabela sempre que o preço do diesel varia mais de 5%, para cima ou para baixo.
O descumprimento das regras gera multas de até R$ 10 milhões. A falta do código identificador da viagem gera multa inicial de R$ 10.500. Reincidentes podem perder o registro de atuação por até dois anos.
Leia também
-
''Achei que era spam'': Homem apaga e-mail de prêmio lotérico de R$ 185 milhões; veja o que aconteceu
-
Golpe no WhatsApp mira credenciais do Gov.br na temporada do IR
-
Interferência externa na rede elétrica de Marianópolis do Tocantins termina em explosões em padrões de energia
Iniciativas inibiram a ameaça de greve dos caminhoneiros. Diante das medidas, uma assembleia convocada para a noite de ontem no Sindicam (Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista) definiu que a categoria vai aguardar uma semana para avaliar os efeitos das investidas e negociações com o governo.
Fim da ameaça de greve
As iniciativas inibiram a ameaça de paralisação da categoria. O Sindicam (Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista) decidiu aguardar uma semana para avaliar os efeitos da medida antes de cruzar os braços.
A Medida Provisória atende a um pedido [que fazemos] desde 2018. É o início de um sonho, porque o cumprimento do piso mínimo é de extrema importância para a sobrevivência do caminhoneiro. Quando o diesel aumenta, o frete tem que subir, automaticamente.
Luciano Santos, presidente do Sindicam
O governo também atuou para reduzir o preço do diesel nos postos. Antes da MP, o Planalto zerou impostos federais sobre o combustível e pressionou os estados a reduzirem o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
Siga no instagram @jornalvalleonline, ou clique aqui para ficar por dentro de tudo!
*Com informações Uol Economia.







Comentários do Facebook