Caminhoneiros evitam fretes para grandes redes de supermercados devido a longas esperas em pátios
Demoras para carga e descarga em centros de distribuição ultrapassam uma semana, gerando prejuízos financeiros e desgaste para os motoristas.
Caminhoneiros de todo o país estão recusando viagens destinadas a grandes redes de supermercados em razão do excessivo tempo de espera nos Centros de Distribuição (CDs). Relatos colhidos no setor nesta semana apontam que a lentidão para autorizar a carga ou descarga dos veículos faz com que motoristas autônomos e frotas de transportadoras fiquem parados por dias — e em alguns casos, mais de uma semana — aguardando uma vaga nos pátios, inviabilizando a rentabilidade do frete.
A dinâmica logística dos supermercados prioriza apenas as mercadorias consideradas urgentes ou com risco iminente de desabastecimento nas prateleiras. Para todas as outras cargas comuns, os caminhões entram em filas que avançam a passos lentos. Como o profissional que trabalha por frete recebe pela viagem realizada, cada dia com o caminhão parado representa uma perda direta de faturamento e produtividade.
Prejuízos financeiros e falta de estrutura
Além do impacto no ganho diário, o tempo de permanência nos pátios eleva drasticamente os custos operacionais da viagem. O motorista precisa continuar custeando despesas com alimentação e combustível para deslocamentos internos, além de arcar com a manutenção preventiva do veículo.
Outro fator crítico apontado pelos motoristas é a precariedade das condições de apoio. Muitos centros de distribuição não oferecem uma infraestrutura mínima adequada para longas estadias, registrando falta de banheiros limpos, ausência de áreas de descanso cobertas e locais apropriados para alimentação.
Reflexos nas transportadoras e no mercado
As dificuldades não se restringem aos caminhoneiros autônomos. As transportadoras também enfrentam gargalos, pois caminhões retidos por dias reduzem a eficiência da frota, atrasam os cronogramas de outros clientes e prejudicam o planejamento logístico geral. Em períodos de pico de demanda, esse cenário costuma provocar uma escassez artificial de veículos disponíveis no mercado para novas viagens.
Atualmente, entidades ligadas ao setor de transporte rodoviário de cargas cobram melhorias nos sistemas de agendamento digital e maior agilidade nas pontas de carga e descarga. Enquanto os investimentos em tecnologia e organização não solucionam o problema de forma ampla, a tendência de recusa desse tipo de frete permanece, com motoristas preferindo viagens com fluxos de descarga rápidos a passar dias parados em um único pátio.
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Fonte de referência da notícia é o portal Brasil do Trecho







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